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Deputado Mauro Rubem denuncia perseguição política contra trabalhadores e boicote a comércios em Goiás
O deputado estadual Mauro Rubem (PT) acionou órgãos de fiscalização para denunciar dois episódios de perseguição política em Goiás: a demissão de um trabalhador do Supermercado Souza, em Indiara, motivada pelo apoio ao presidente Lula, e denúncias de boicote a comércios de Jandaia identificados como “de esquerda”. O parlamentar também pediu a apuração de declarações atribuídas à psicóloga Mara Suassuna, segundo as quais empresários teriam solicitado que processos seletivos excluíssem pessoas petistas.
As iniciativas colocam em debate os efeitos da radicalização política sobre o direito ao trabalho, à liberdade de opinião e à atividade econômica. Para Mauro Rubem, a democracia não pode conviver com ameaças, discriminação ideológica e tentativas de constranger trabalhadores e comerciantes por suas posições políticas.
O deputado encaminhou representação ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) sobre as denúncias envolvendo Indiara e Jandaia. Também acionou o Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09) para que apure o caso relacionado ao recrutamento e à seleção profissional.
Indiara e Jandaia: denúncia aponta perseguição a trabalhadores e comerciantes
No município de Indiara, a denúncia contra o Supermercado Souza é acompanhada de um áudio e de uma transcrição em que o interlocutor relaciona a demissão de um trabalhador à manifestação de apoio a Lula nas redes sociais.
Entre as frases atribuídas a ele estão “fez o L, né? E por isso que eu te mandei embora” e “não trabalho com petista”. O relato também registra ameaças de dificultar a recolocação profissional do trabalhador e expressões depreciativas contra pessoas nordestinas, como “Volta pro Nordeste”.
Em Jandaia, a denúncia é de outra natureza: estabelecimentos comerciais estariam sendo identificados e alvo de boicote por serem considerados “de esquerda”. O gabinete recebeu uma imagem de uma lista intitulada “Comercio de esquerda", cuja autoria, circulação e relação com eventuais prejuízos ainda precisam ser esclarecidas.
Para Mauro Rubem, os relatos expõem uma tentativa preocupante de transformar divergências políticas em instrumentos de pressão econômica. O parlamentar defende que ninguém seja punido por votar em Lula, manifestar suas opiniões ou manter um estabelecimento comercial sem se submeter a determinada orientação ideológica.
O deputado associa esse tipo de intolerância à radicalização política estimulada por setores do bolsonarismo. Em sua avaliação, práticas de intimidação e exclusão de adversários remetem a métodos autoritários, incompatíveis com a liberdade e o pluralismo que sustentam a democracia.
As representações pedem a identificação dos responsáveis, a escuta dos trabalhadores e comerciantes atingidos e a adoção de medidas para impedir novas ameaças, demissões discriminatórias e retaliações.
Psicóloga: denúncia questiona exclusão de petistas em processos seletivos
O segundo caso envolve declarações atribuídas à psicóloga goiana Mara Suassuna, profissional da área de recrutamento e seleção. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela teria relatado que empresários lhe solicitaram a seleção de candidatos com o critério de “não ser petista”, justificando a preferência pela compatibilidade de valores.
Diante do relato, Mauro Rubem acionou o Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região para investigar se houve discriminação político-partidária em processos de contratação. A representação solicita o esclarecimento do contexto das declarações, a identificação dos eventuais empresários envolvidos e a apuração de possíveis casos em que candidatos tenham sido excluídos por suas convicções políticas.
Para o parlamentar, a contratação de profissionais deve considerar suas qualificações e a capacidade de exercer as funções, e não funcionar como mecanismo de controle ideológico. O uso de expressões como “compatibilidade de valores”, segundo a representação, não afasta a necessidade de verificar se houve discriminação na prática.
O caso também levanta questionamentos sobre a responsabilidade de empresas e profissionais que atuam na seleção de trabalhadores. A denúncia ainda depende de apuração e não comprova, por si só, que candidatos tenham sido efetivamente prejudicados.
Mandato cobra resposta e defende liberdade política
Com as duas iniciativas, Mauro Rubem busca dar encaminhamento institucional a denúncias que, segundo ele, não podem ser tratadas como simples divergências partidárias. O parlamentar defende que o direito ao trabalho e à atividade econômica não seja condicionado à adesão a um projeto político.
A atuação também chama atenção para os riscos de um ambiente em que trabalhadores temam perder o emprego por suas opiniões e comerciantes sejam pressionados por suas convicções. Para o deputado, combater a intolerância política significa proteger a liberdade individual e impedir que o poder econômico seja usado para silenciar quem pensa diferente.
Mauro Rubem solicita prioridade na apuração, proteção contra retaliações e responsabilização caso as irregularidades sejam comprovadas. Os órgãos competentes deverão esclarecer os fatos, identificar eventuais vítimas e determinar as medidas cabíveis.
As denúncias seguem como objeto de apuração, sem prejuízo do direito de defesa das pessoas envolvidas. O objetivo das representações é esclarecer os episódios e impedir que a discriminação política se transforme em barreira ao trabalho, à renda e à livre manifestação de pensamento.