"Procuradores, defensores e delegados eram marginalizados", afirma George Hidasi sobre o fortalecimento das instituições na Constituição Estadual
Filho de José Hidasi - fundador do maior museu de ornitologia do mundo, o Museu de Ornitologia de Goiânia - George Hidasi é advogado criminalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e pós-graduado em Direito Penal e em Processo Penal. Natural de Goiânia, iniciou sua carreira política como vereador da Capital goiana em 1983. Em janeiro de 1989 assume como deputado suplente na 11ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), exatamente no mesmo ano em que se deu a Assembleia Estadual Constituinte (AEC).
Hidasi foi um dos 27 deputados constituintes que compunham a bancada partidária majoritária na Casa, do PMDB, e conta como foram os acontecimentos naquele período e o seu caminho até a participação na AEC. “Sempre gostei de Direito e, da mesma maneira, dos movimentos sociais onde, inclusive, iniciei, de fato, minha participação na política. Pra mim foi um prazer imenso participar do processo de produção da nossa Carta Magna. Estudamos, pesquisamos, atendemos a população, conversamos muito e desenvolvemos um bom trabalho apoiado, da minha parte, em uma aprofundada pesquisa técnico-cientifica”, lembra o ex-deputado.
Durante a AEC, George Hidasi compôs a Comissão da Ordem Econômica e Social e também a Comissão de Justiça e de Defesa da Sociedade e, antes falar de sua participação nas mesmas, relembra, com carinho, do coordenador de todo o processo, o ex-deputado Solon Amaral, que foi o relator da Constituição Estadual. “Foi um professor tão fantástico que sabia o nome de todos os seus alunos. Guardo uma memória tão bonita do professor Solon Amaral que só de falar do nome dele eu me emociono. Fui aluno dele, brincávamos e nos divertíamos muito”, conta Hidasi.
Em relação a sua participação nas comissões e de sua contribuição na elaboração da Constituição de Goiás, George Hidasi destaca que seu trabalho se baseou principalmente na busca pelo fortalecimento das instituições. Ele conta que na época o Ministério Público era ainda um órgão apagado e a Polícia Militar e a Civil não possuíam força. “Da mesma maneira os procuradores, defensores públicos e delegados eram todos marginalizados. Cheguei a ouvir falar que delegados ganhavam à época três salários mínimos. Então, na Constituição do estado umas das questões que eu lutei muito foi para a equiparação salarial do delegado de polícia e demais atividades afins com o magistrado. Foi uma vitória de todos os parlamentares da época, pois todos apoiaram essa iniciativa”, exemplifica.
Ele conta também que sempre foi a favor do planejamento familiar e, durante sua atuação como parlamentar constituinte, sempre trabalhou para que o Estado fornecesse às famílias que desejassem ter esse tipo de controle, o direito a intervenções cirúrgicas e até mesmo para o fornecimento de medicamentos contraceptivos. “Essa nossa posição inclusive nos causava uma reação conflituosa com a igreja católica, principalmente na região de Campinas, paróquia que frequentávamos. Éramos atacados de toda forma, mas sempre defendemos o direito da mulher fazer a opção por quantos filhos ter”, explica George Hidasi.
O constituinte falou também sobre o feito da criação do Batalhão Florestal no Estado de Goiás, bem como do Corpo de Bombeiros como uma corporação independente. “Foi uma luta incessante nossa. Não era uma busca só minha, já existia um clamor da sociedade e uma expectativa da Polícia Militar para que isso fosse implementado. O Corpo de Bombeiros, por exemplo, estava dentro da Polícia Militar e era muito pequeno, então era necessário desmembrar para crescer, e fizemos isso também”, conta.
Ao finalizar, George Hidasi analisa o cenário atual e o relaciona com a realidade vivida durante sua experiência política da época da AEC. Neste aspecto, destaca que muitos pontos sofreram evolução, porém, segundo ele, alguns são decepcionantes. “Fui muito abençoado e fui deputado em uma época em que todos meus pares eram apaixonados pelo povo e faziam políticas que realmente iam de encontro ao interesse da população e seu desenvolvimento. Hoje nós não queríamos, por exemplo, que existisse o corrupto, muito menos o político corrupto. Queríamos sim era ver a sociedade crescendo, pessoas produzindo e acreditando em um mundo melhor, mas muitas vezes não é bem assim”, lamenta o constituinte.